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Trabalhando a Síndrome do Impostor com Hipnose transformacional.

De acordo com um estudo realizado pela psicóloga Gail Matthews da Universidade Dominicana da Califórnia nos Estados Unidos, a Síndrome atinge—em menor ou maior grau—70% dos profissionais bem-sucedidos.

E o que é a síndrome do impostor?

Você certamente conhece alguém que vive dizendo coisas como: “Foi somente por sorte que eu fui contratado!” ou “As pessoas pensam que eu sou bom em esportes, mas elas só dizem isso porque me viram jogar contra um adversário inexperiente”, ou ainda: “Eu não mereço uma esposa tão linda, só consegui me casar com ela por termos sido colegas de classe!”.

As pessoas que têm síndrome do impostor sentem-se incapazes de internalizar suas conquistas como originárias de mérito próprio, mesmo que alcancem um ótimo resultado e ainda que existam inúmeras provas do mérito relacionado a tal resultado. O impostor, assim, sente estar usando uma máscara o tempo todo e tem medo de ser desmascarado a qualquer momento por acreditar que seus resultados estão sempre ligados a fatores externos e nunca ao mérito próprio, e por isso acaba sempre se subvalorizando.

Se uma pessoa com a síndrome do impostor recebe um elogio, ela tende a acreditar que o elogio só aconteceu porque ela, como impostora, conseguiu enganar a pessoa que a elogiou; independentemente da existência de ótimos motivos para tal elogio. O impostor, então, vive com muito medo de que os outros descubram que ele é uma farsa, mesmo que o sucesso do impostor seja de fato merecido.

Como uma pessoa com a síndrome do impostor reforça essa crença?

Geralmente uma pessoa com síndrome do impostor utiliza duas estratégias básicas para reforçar a sua própria crença de impostor, sendo elas:

  1. Fazer mais do que o esperado
  2. Fazer menos do que o esperado.

Por exemplo: Imagine que foi dada para o impostor a tarefa de fazer a apresentação de um relatório na empresa para a qual ele trabalha.

Na estratégia número um, de fazer de mais, o impostor vai se preparar mais do que todos os outros, estudar o que precisa ser estudado, fazer o que precisa ser feito, e quando obtiver uma ótima apresentação e for elogiado, a sensação que o impostor vai ter é de que conseguiu enganar a todos que acreditaram que ele é inteligente e faz boas apresentações.

Na percepção do impostor, ele é uma farsa por ter de se esforçar muito por se achar pior do que os outros para fazer apresentações, sentindo-se assim uma fraude ao receber os elogios.

Na estratégia número dois, de fazer de menos, o impostor não se prepara por já ter a convicção de ser uma fraude, e consequentemente tende a ter resultados ruins para provar a si mesmo de que estava certo ao acreditar que ele, de fato, é uma fraude. Ou seja, de uma forma ou de outra, o impostor se força a acreditar ser uma farsa.

E como a hipnose pode ajudar uma pessoa com síndrome do impostor?

Na hipnose transformacional, o primeiro passo para gerar uma mudança duradoura em uma pessoa que sente ser uma farsa é quebrar todos os rótulos que esta pessoa tenha em relação a si mesma quanto a acreditar ser uma farsa.

Assim como uma pessoa age de forma honesta por acreditar ser honesta, é natural que uma pessoa busque gerar uma coerência cognitiva com a crença interna de que ela é uma farsa.

Diferente de tratamentos tradicionais, nos quais o diagnóstico é primordial, na hipnose transformacional o trabalho é praticamente o inverso, tratando cada pessoa como única, sem impor rótulos ou diagnósticos, simplesmente ajudando a pessoa a reconfigurar a história que conta de sua própria história.

Assim, a hipnose transformacional carrega em si, como o nome já conta, a potencialidade de transformar de forma definitiva e positiva a percepção de mundo de uma pessoa.

Se analisarmos o DSM-5, por exemplo, que é o manual padrão de transtornos mentais, qualquer ser humano é capaz de enquadrar-se em algum grau em vários dos transtornos ali presentes. Este fato, no entanto, acaba criando rótulos e limitações durante o tratamento tradicional por mais que o DSM tenha a intenção de ajudar.

De onde surgem nossas crenças?

Todas as crenças que temos são baseadas no que ouvimos, vemos e sentimos, ou seja, alguém que em sua infância ouviu de seus pais de forma recorrente frases do tipo “você não serve para nada”, “você faz tudo errado”, ou “você só serve para dar trabalho”, pode desenvolver uma crença de que, independentemente de seu esforço (e mérito, consequentemente) não merece os bons resultados que obteve.

Esta síndrome pode ser mais comum em mulheres justamente pelo fato de que culturalmente muitas mulheres recebem sugestões de que deveriam, por exemplo, ser apenas donas de casa, e quando saem para o mercado de trabalho, mesmo que consigam bons resultados, podem não se sentirem merecedoras de tais.

O que sustentam nossos resultados?

O que sustenta os resultados de qualquer ser humano, então, pode-se dizer que sejam sempre as crenças que este ser humano possui. Uma pessoa que acredita ser honesta tende a agir de maneira honesta para viver de forma congruente com suas próprias crenças, e quando falamos de crenças, não me refiro à religião e sim ao que uma pessoa acredita sobre si mesma e sobre o mundo como um todo. É a ótica pela qual uma pessoa enxerga a vida.

Como são divididas nossas crenças dentro da Hipnose Transformacional?

Na Hipnose Transformacional podemos dividir as crenças entre 3 principais padrões, sendo eles Capacidade, Identidade e Merecimento.

As crenças de capacidade estão correlacionadas a saber fazer algo. Uma pessoa pode acreditar não saber mexer no computador e por buscar provar a sua própria crença pode enfrentar dificuldades de habituar-se a tal comportamento.

Já as crenças de identidade estão relacionadas à forma como enxergamos nós mesmos. Uma pessoa que acredita ser tímida, então, busca agir de forma tímida, enquanto uma pessoa que acredita ser extrovertida tende a agir de forma extrovertida.

As crenças de merecimento são relacionadas ao que acreditamos ser merecedores de ter. Por exemplo, se uma pessoa ganha dinheiro de maneira fácil e não se sente merecedora deste dinheiro, as chances são que esta pessoa acabará desperdiçando todo o dinheiro que conseguiu, às vezes tão simplesmente quanto por não se sentir merecedora dele.

E justamente por isso acredito fortemente que a hipnose transformacional seja a melhor metodologia para se ajudar uma pessoa que deseja tratar a síndrome do impostor. Nesta metodologia o pressuposto é de que ninguém “é” de forma fixa, e sim “está” de forma a sempre poder se transformar. Ou seja, ninguém possui permanentemente a síndrome do impostor. São apenas conjunções de “estar” que podem ser facilmente alteradas, com a ajuda de um profissional.

Tudo isso é maravilhoso, pois percebe-se que se estas conjunções foram, de fato, programadas na mente, também podem ser reprogramadas.

É mesmo possível reprogramar essas crenças?

Assim como sugestões relacionadas à falta de merecimento podem ter sido instaladas, estas sugestões podem ser desinstaladas e reprogramadas através de técnicas como a de regressão em estado hipnótico, que atinge resultados excelentes através de uma reconfiguração das causas raízes de onde as crenças relacionadas à falta de merecimento começaram a surgir.

Isso é possível pois nosso cérebro não sabe diferenciar o que é real e o que é imaginário, já que produzimos a mesma química tanto quando estamos vivendo quanto quando estamos visualizando em nossa mente.

A hipnose, na verdade, um tanto quanto simplesmente potencializa este poder de visualização de forma a poder trabalhar e ressignificar crenças mesmo que estas crenças tenham sido criadas ainda no útero materno de uma pessoa. Isso é possível desde que o trabalho seja realizado com um bom profissional que entenda de hipnose com foco em transformação do ser humano, havendo também colaboração da pessoa que deseja passar pelo processo.